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AGORA UMA MATÉRIA SUPER INTERESSANTE PARA USUÁRIOS wireless

 Vírus pelas ondas de rádio

O mistério dos vírus móveis se esconde dentro da convergência entre o mundo
wireless e a internet

Por Lynnete Luna*

A ebulição de vermes e vírus no mundo dos computadores, que causa bilhões em
prejuízos, pode logo propagar-se para a indústria wireless. Com o crescimento
Isto, assim que os mais sofisticados terminais para acesso a internet cheguem
ao mercado e os usuários comecem a usá-los do modo que as operadoras esperam
que aconteça: navegando pela internet, baixando sofisticadas aplicações e
mandando e recebendo e-mails com arquivos anexados.

Especialistas em segurança dizem que vírus sendo transmitidos por terminais
móveis com acesso à internet não é uma questão de se, mas de quando. “Vai
acontecer”, diz Sam Curry, vice-presidente da eTrust Product Management for
Computer Associates, desenvolvedora de software de segurança para
empresas. “Quanto mais um celular ou PDA tiver funções de PC, mais aberta
estará a porta para as ameaças.”

As operadoras móveis têm esperado um longo tempo pela adoção dos serviços de
internet móvel por parte dos usuários para salvá-las de um ARPU (receita
média por usuário) estagnado, resultado de um mercado de voz estagnado.
Agora, eles estão finalmente à disposição. As operadoras têm estruturado
redes de dados de alta velocidade capazes de permitir aplicações mais
sofisticadas, os fabricantes de terminais estão inundando o mercado com
aparelhos que lêem dados, os desenvolvedores estão identificando o valor das
aplicações wireless e os usuários têm um crescente apetite por conectividade
e funcionalidades “always on” (sempre ligado).

IGUAL AOS PCS – Estas capacidades de acesso também deixam a indústria sem fio
pronta para o mesmo tipo de vírus e pragas de destruição que infestam o mundo
dos PCs. O cenário do “dia do juízo final” deixaria qualquer executivo de
negócios wireless de cabelo em pé. Os desktops representam, de longe, o maior
risco de segurança para uma corporação hoje em dia – e os celulares virão na
seqüência, assim que elas incorporem este tipo de comunicação para missões
mais críticas. Para as operadoras, os custos decorrentes desse problema
poderão alcançar bilhões em apenas dois anos e aparecerão na forma de
problemas nas redes, atendimento ao cliente, perda em receita de serviços e
até mesmo churn (quando o usuário troca de provedor).

“Existem muitas oportunidades interessantes para ‘autores de vírus’”, diz
Jerry Brady, responsável pelas soluções de segurança da VeriSign, que tem
trabalhado com as operadoras para achar vulnerabilidades embarcadas nos
celulares. “Esta convergência com a internet está criando o ambiente
perfeito.”
Os hackers poderiam bolar programas e codificá-los para atacar redes em
muitos níveis. Vírus e pragas corrompendo o set-up de dados das chamadas
poderiam derrubar cerca de um terço da base de handsets das operadoras,
inutilizando o aparelho permanentemente ou incitando inúmeros usuários a
ligar para o atendimento ao cliente ou a visitar a assistência técnica mais
próxima.

Os usuários abrindo arquivos anexados ou baixando um novo game da rede podem
iniciar um vírus com poder suficiente para derrubar conexões das redes das
operadoras. Softwares maliciosos, conhecidos como “malware”, poderiam
corromper terminais para uso corporativo e iniciar o acesso a dados
confidenciais ou desativar firewalls.

O mais preocupante seria o tipo de vírus combinado que poderia se espalhar
por múltiplas plataformas, em instantes, passando, por exemplo, de uma caixa
de e-mails para um sistema operacional Linux e daí para o sistema operacional
de um aparelho móvel.

VÍRUS ALARMANTES – Mas não entre em pânico ainda. Quando as companhias de
antivírus descobriram alguns códigos maliciosos benignos que atacavam Palms
em 2000, muitos especialistas em segurança acreditaram que 2001 seria o ano
dos vírus móveis. Mas eles ainda não apareceram de forma sistemática. Durante
os últimos quatro anos os ataques têm sido escassos.

A maior operadora móvel japonesa, a NTT DoCoMo, foi pega de surpresa em 2001
quando alguns usuários se queixaram que estavam mandando mensagens que
congelavam as telas dos celulares e automaticamente discavam o número de
emergência da polícia local. Ano passado, algumas mensagens SMS atacaram
certos modelos da Siemens. Os pesquisadores têm encontrado também uma série
de vulnerabilidades em plataformas operacionais, incluindo Palm, Pocket PC e
Symbian.

A questão de um milhão de dólares é: quando a indústria wireless começará a
sentir o impacto material do ataque de vírus móveis? “É difícil de prever”,
diz Laura Garcia-Manrique, diretora da linha de produtos para segurança
wireless da Symantec, que tem monitorado os vírus móveis. “Não existe
realmente nada que previna que autores de códigos maliciosos estejam nesse
exato momento criando um vírus móvel.” Aparelhos usando plataformas mais
complexas, como Palm, Pocket PC e Symbian, ainda não são tão populares. “Quem
cria estes vírus quer vítimas”, acrescenta Curry. “A brecha está lá e a
aplicação está disponível, mas ninguém quer perder tempo desenvolvendo um
vírus que atormente somente duas mil pessoas.”

De acordo com Garcia-Manrique, a vulnerabilidade da indústria wireless aos
vírus depende da resposta destas três questões: quão grande é a base de
usuários instalada de aparelhos sofisticados com acesso internet? Como a
plataforma está conectada? E quão abertas estão as plataformas para
integradores? Pela primeira vez, aparelhos móveis com complexas plataformas
operacionais estão alcançando mercados de massa, diz Garcia-Manrique. Além
disso, a conectividade wireless está crescendo, com mais PDAs suportando
vários tipos de meios de comunicação wireless, incluindo Wi-Fi e redes de
dados de alta velocidade.

A Symbian está provendo infra-estrutura para permitir operadores de rede e
fabricantes usarem aplicações codificadas e eliminarem aplicações baixadas.
Isto verifica a integridade das aplicações antes que elas sejam usadas nos
aparelhos, diz uma porta-voz da empresa.

NOVAS VULNERABILIDADES – Basicamente, os consumidores vão querer seus
aparelhos funcionando exatamente como seus computadores pessoais, dizem os
analistas. Uma vez que os usuários tenham a possibilidade de abrir arquivos
anexos e baixar o que quiserem da internet em seus terminais móveis, eles
abrem uma nova porta para possíveis ataques. “Quanto mais complicado o
sistema operacional de telefones celulares, mais difícil será testá-lo e
achar brechas em sua segurança”, diz Anton Zajac, CEO e presidente da Eset,
empresa provedora de antivírus e sistemas de segurança para internet.

As operadoras móveis podem, talvez, consolar-se no fato de que sua indústria
não está dominada por apenas uma plataforma de sistema operacional, criando
mais desafios para hackers e desenvolvedores de vírus, diz Andrew Cole, vice-
presidente da consultoria Aventis. No mundo da informática, a Microsoft é
constantemente escolhida porque provém o sistema operacional dominante e os
criadores de vírus querem causar o maior estrago possível. “O fato de nem
todos os smart phones serem baseados em sistema operacional Microsoft pode
tornar um pouco mais difícil o trabalho dos hackers”, diz Cole.

“O tamanho da base instalada no mundo móvel deve superar a de computadores
pessoais muito rapidamente. Ela tem potencial para se tornar muito atrativa
para os criadores de vírus”, diz Garcia-Manrique.
A indústria wireless apresenta desafios únicos para combater este tipo de
praga, diz Brady. As telas pequenas, as múltiplas plataformas de sistema
operacional e o fato de os usuários não manejam seus terminais como
computadores significam que as operadoras devem desenvolver métodos pró-
ativos para combater vírus. Não somente os telefones devem incorporar
antivírus, mas as operadoras deveriam também implementar gateways em suas
redes e rastreadores de vírus, diz ele. “As operadoras têm que ter cuidado
para escolher os telefones das fabricantes que estão atentas para a
segurança”, explica Brady.

Nokia e Symantec anunciaram recentemente planos para desenvolver um software
seguro para os clientes corporativos da fabricante finlandesa, começando com
a plataforma Nokia 9500 Communicator. A estratégia de oferecer soluções
integradas para segurança na internet incluem antivírus, firewall e serviços
de atualização para os aparelhos Nokia.

A configuração “pelo ar” poderia ajudar a resolver o problema. A solução
mProve, da Bitfone Corp., por exemplo, pode modificar o software “pelo ar”
cada vez que uma nova atualização do software estiver disponível. Outra idéia
promissora é o software desenvolvido pela mFormation, que permite às
operadoras monitorarem aparelhos na rede em tempo real. Dessa forma, podem
enxergar defeitos, arquivos infectados e vírus para enviar correções ou
bloquear tais aparelhos a fim de prevenir a propagação, diz Upal Basu, vice-
presidente de marketing da empresa. A companhia assinou recentemente um
acordo com a T-Mobile dos EUA, que irá utilizar o software para realçar a
capacidade do serviço de atendimento ao usuário.

* publicada na America’s Network

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